Mosteiro da Batalha

O Mosteiro de Santa Maria da Vitória, também designado por Mosteiro da Batalha, é uma das mais belas obras da arquitectura portuguesa e europeia, tendo a sua localização na vila da Batalha.

Este conjunto arquitectónico, construído de 1386 a 1517, é  uma obra resultante do cumprimento de uma promessa realizada pelo rei D. João I, em agradecimento pela vitória alcançada na Batalha de Aljusbarrota, travada a 14 de Agosto de 1385, com Castela, que lhe assegurou o trono e garantiu a independência de Portugal, tendo o Mosteiro se tornado num símbolo da nova dinastia, então constituída.

O  vasto conjunto monástico, apresenta actualmente uma igreja, dois claustros ( D. João I e D. Afonso V) com dependências anexas e dois panteões reais, a Capela do Fundador e as Capelas Imperfeitas, sendo o mais significativo edifício do estilo gótico português e um exemplo da evolução da arquitectura medieval até ao início do século XVI.

No Mosteiro da Batalha, encontra-se igualmente o mais importante núcleo de vitrais medievais portugueses, visíveis na Capela-Mor e na Sala do Capítulo, sendo que o Mosteiro alberga também o arquivo e o espólio da oficina do vitralista Ricardo Leone, (1905-1971) ao qual, se deveu a iniciativa de restauração da Sala do Capítulo, na década de 30 do Século XX.

De acordo com o conhecimento que se tem, o Mosteiro da Batalha, foi o primeiro edifício português a receber a distinção de construção de vitrais, tendo sido igualmente o centro português de criação de vitral, nos séculos XV e XVI, onde se instalou a maior parte dos praticantes da arte do vitralismo.

Ao projecto inicial de construção do Mosteiro, foram introduzidos vários acrescentos, tendo as respectivas obras de construção e de restauro,  prolongando-se por mais de 150 anos, através de várias fases. A respectiva duração justifica a existência, nas suas características artísticas, de soluções góticas predominantes manuelinas e um breve apontamento renascentista.

As obras de construção do Mosteiro, iniciaram-se no ano seguinte à Batalha de Aljusbarrota, sob a direcção do arquitecto português Afonso Domingues, sendo que da respectiva fase, resultou grande parte das estruturas da Igreja e duas alas do Claustro de D. João I.

Após o inicio da sua construção, o projecto sofreu, em 1402, uma mudança radical, tendo a direcção das obras sido assumida pelo arquitecto estrangeiro Huguet, provavelmente catalão, que dotou o Mosteiro da Batalha de uma matriz gótica flamejante.

Ao respectivo período, correspondeu o abobadamento dos espaços da Igreja e da Sala do Capítulo, a construção da Capela do Fundador e, ainda, o início das obras das Capelas Imperfeitas. Em meados do século XV, no reinado de D. Afonso V, foi construído o Claustro de D. Afonso V, obra do arquitecto português Fernão de Évora, e que se filia no Gótico afonsino, corrente que rejeita a exuberância do estilo flamejante em benefício de linhas simples e austeras.

No reinado de D. Manuel I (1495-1521), fecharam-se as janelas das galerias do claustro e retomaram-se as obras das Capelas Imperfeitas, projecto que se prolongou até à década de 30 do século XVI, com a inclusão de elementos renascentistas, e que foi posteriormente abruptamente abandonado pelas solicitações de construção de outros monumentos em Portugal, designadamente o Mosteiro dos Jerónimos.

Após um longo interregno, o Mosteiro da Batalha viria a ser objecto de novas obras de restauro, a partir de 1840, a cargo de Luis Mouzinho de Albuquerque, nomeado por D. Fernando II.  Durante mais de cinquenta anos, o Mosteiro foi sistemáticamente restaurado segundo critérios de retorno forçado à traça medieval.

Do conjunto monástico do Mosteiro da Batalha integrava igualmente um terceiro claustro, construído no reinado de D. João III (1521-1557) ligado, no lado este, ao claustro de D. Afonso V e que se caracterizava por um vasto conjunto de dependências, reclamadas pelos frades.

No entanto, o respectivo claustro foi incendiado pelas tropas francesas em 1810, tendo sido completamente demolido no século XIX, nas campanhas de restauro do monumento, tendo muita da sua pedra sido utilizada na construção da Ponte da Boutaca, obra de arte neo-gótica, localizada a poente do Mosteiro.

O Mosteiro pertenceu, durante vários anos, à ordem de São Domingos, por doação de D. João I, ocorrida em 1388, tendo permanecido na mesma ordem até 1834, com a extinção das ordens religiosas, por Mouzinho da Silveira. Posteriormente, o monumento foi incorporado na Fazenda Pública, tendo esta na dependência do ex-IGESPAR, e presentemente, na dependência da Direcção Geral do Património Cultural, sendo um espaço cultural e turístico, aberto ao público.

O Mosteiro da Batalha é considerado um Monumento Nacional, que integra desde 1983, a Lista do Património da Humanidade definido pela UNESCO. Em 2007, o Mosteiro da Batalha foi considerado como uma das “ 7 Maravilhas de Portugal”, pela organização com o mesmo nome.

http://www.mosteirobatalha.pt

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