O Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça, também conhecido como Real Abadia de Santa Maria de Alcobaça ou Mosteiro de Alcobaça, localiza-se em Alcobaça e é a primeira obra gótica construída em Portugal.
Fundada em 1153, por doação do Rei D. Afonso Henriques a Bernardo de Claraval, monge da Ordem de Cister, a actual abadia só começou a ser construída a partir de 1178, pela mesma ordem religiosa.
Tendo sido uma das primeiras fundações monásticas da Ordem de Cister em Portugal, o Mosteiro de Alcobaça tornou-se a principal casa da respectiva ordem religiosa, devido a uma continuada política de protecção régia, iniciada pelo Rei D. Afonso Henriques.
A Abadia de Alcobaça, ocupou uma importância estratégica para a expansão cristã portuguesa em direcção ao sul, sobretudo a partir da conquista das cidades de Santarém e de Lisboa, em 1147. A então protecção dos Coutos (Terras com imunidade perante os impostos e justiça reais) foi entregue à milícia da Ordem do Templo, isentando a ordem de Cister, o mais possível, das investidas militares dos mouros.
A data da construção da Abadia, está envolta num grande significado “estratégico”. Quatro anos após a respectiva data de construção, foi efectuada a canonização de São Bernardo, tendo a Abadia, sido uma das primeiras abadias da Ordem de Cister a ser construída com o respectivo objectivo.
As dependências medievais ainda conservadas fazem do Mosteiro de Alcobaça um conjunto único a nível mundial, às quais, acrescem as edificações posteriores, dos séculos XIV a XVIII, como importante testemunho da evolução da arquitectura portuguesa.
Ao longo dos tempos, a importância do Mosteiro de Alcobaça cresceu em termos culturais, religiosos e ideológicos, tendo sido substancialmente alargado e enriquecido com as sucessivas doações reais.
Em 1308, o Rei D. Dinis ordenou a construção do Claustro do Silêncio ou de D. Dinis, acrescentado de um piso, posteriormente, no reinado de D. Manuel I (1495-1521), que mandou também construir a designada Sacristia Manuelina, obras encomendadas ao arquitecto espanhol João de Castilho.
A partir do Abade Comendatário Cardeal D. Henrique, (1567), iniciaram-se as grandes alterações espaciais efectuadas na Abadia, com a construção do Palácio Abacial no extremo Norte da Ala Norte e do Claustro do Cardeal, seguindo-se, no séc. XVII, a Hospedaria, a primitiva Sala dos Reis e o Noviciado.
Presentemente, o Mosteiro é constituído por uma igreja ao lado da sacristia e, a norte, por três claustros seguidos, sendo cada um circundado, na sua totalidade, por dois andares, assim como também por uma ala a sul. Os claustros, inclusive o mais antigo, apresentam, igualmente, dois andares. Integram também o Mosteiro, capelas, salas, o panteão real, a biblioteca, o antigo Palácio Abacial e zonas contíguas.
A Igreja, iniciada como era prática corrente pela cabeceira, contém três naves à mesma altura, o transepto de duas naves e o deambulatório, formando um conjunto de características invulgares pela sua simplicidade, grandeza e austeridade.
De invulgar beleza, é o Relicário e o Altar da Morte de São Bernardo, dos finais do séc. XVII, construídos em terracota, bem como a grande Cozinha do séc. XVIII. A Sala dos Túmulos, em estilo neo-gótico, guarda os túmulos de várias raínhas e príncipes. No transepto da Igreja, encontram-se os túmulos de D. Pedro e de D. Inês de Castro, duas das mais belas obras da arquitectura tumular portuguesa do séc. XIV.
Em 1834, no seguimento da extinção das ordens religiosas em Portugal, por Mouzinho da Silveira, os monges foram obrigados a abandonar o Mosteiro.
O Mosteiro de Alcobaça, encontra-se classificado como Monumento Nacional através dos decretos DG nº14, 10-01-1907;1DG, nº 136, 16-06-1910 e como zona especial de protecção DG (II série), nº 190 de 16-08-1957.
Desde 1989, que a Abadia de Alcobaça, encontra-se reconhecida como Património Mundial da Humanidade pela UNESCO, sendo uma das mais importantes abadias cistercienses europeias, tendo em conta o seu estado de conservação e a sua arquitectura, símbolo de Cister.
Em 2007, o Mosteiro de Alcobaça, recebeu a classificação de uma das “7 Maravilhas de Portugal” da organização com o mesmo nome, que teve como objectivo, eleger os sete monumentos mais relevantes do património arquitectónico português.








