Castelo de Guimarães

O Castelo de Guimarães é um dos maiores símbolos da nacionalidade portuguesa e considerado uma das mais bonitas obras arquitectónicas de Portugal, sendo a sua estrutura marcada por episódios que deram origem à formação de Portugal.

As origens do Castelo, encontram-se ligadas à necessidade de protecção da então Vimaranes (Presentemente, Guimarães), que pertencia ao Condado de Portucale, das tropas muçulmanas e também de protecção do mosteiro de São Mamede ou de Guimarães, mandado edificar anteriormente por Mumadona Dias, esposa do conde de Portucale, Hermegildo Gonçalves, ( Mendo I).

Em meados do século X, por ordem de Mumadona Dias, que havia herdado o governo das terras do Condado de Portucale do seu marido, entretanto falecido em 950,  foi construída a primeira estrutura militar, com uma fortaleza de protecção em Vimaranes.

A estrutura, tinha como finalidade, a recolha da população, caso se verificasse um ataque muçulmano e também a defesa do mosteiro que mandara construir, mosteiro que recebeu igualmente diversas doações por parte de Mumadona Dias, como terras, gado, rendas, livros religiosos, objectos de culto e o castelo, que na época era apenas uma estrutura simples.

Após o final do Condado de Portucale verificado em 1071 e integrado no mesmo ano, no Reino da Galiza, por morte de Nuno II Mendes ( O último conde do Condado de Portucale), em batalha travada com Garcia II da Galiza, na Batalha de Pedroso, em 1095, as terras de Vimaranes,  sob o então domínio de Afonso VI de Leão e Castela, que entretanto, as havia conquistado ao seu irmão Garcia II, da Galiza, foram inseridas no Feudo doado pelo mesmo Rei, a D. Henrique de Borgonha, como reconhecimento pelas lutas desencadeadas contra os mouros, tendo-se então, formado o Condado Portucalense.

O Conde D. Henrique e a sua esposa, D. Teresa de Leão, deslocaram-se para Vimaranes, tendo erguido a torre de menagem e melhorado as estruturas defensivas à volta do Castelo, passando a ser a sua residência oficial.

A estrutura então existente do primitivo Castelo, era uma torre e um modesto muro de defesa, que nos finais do século Xl, quando foi formado o Condado Portucalense, deveria encontrar-se num avançado estado de degradação, tendo sido posteriormente demolida por iniciativa do Conde Henrique e substituída por uma outra edificação mais ampla e mais sólida, que, posteriormente melhorada, veio a constituir-se no Castelo ainda hoje existente.

Supõe-se que no Castelo terá nascido D. Afonso Henriques, que no mesmo, resistiu na luta pela independência. Primeiro, ao ataque desencadeado em 1127 pelo Rei Afonso VII de Leão e Castela, que cercou o Castelo, tendo posteriormente desistido de conquistar a cidade, após lhe ter sido prometida a lealdade de D. Afonso Henriques, por Egas Moniz, o seu tutor.

No ano seguinte, em 1128, no Campo de São de Mamede, nas imediações do Castelo,  D. Afonso Henriques travou a batalha de São Mamede, contra as tropas de sua mãe D. Teresa e do conde Galego Fernão Peres de Trava, insurgindo-se contra a influência do Reino da Galiza e também de Leão e Castela no território do Condado Portucalense, por via da aliança entre a sua mãe D. Teresa e o conde Galego Fernão Peres de Trava, que por sua vez havia-se aproximado ao Rei Afonso VII de Leão e Castela, que detinha o Reino da Galiza.

A vitória de D. Afonso Henriques, viria a dar origem ao processo que levou ao reconhecimento da independência de Portugal, em 1143, pelo Tratado de Zamora, celebrado entre D. Afonso Henriques e o Rei Afonso VII de Leão e Castela.

No Castelo, foram efectuadas obras pelos reis D. Afonso III, D. Dinis e D. Fernando. Em 1389, D. João I, mandou erguer as torres que flanqueiam as duas portas. Devido aos progressos militares verificados ao longo dos anos, as muralhas e castelos perderam a importância, tendo o Castelo de Guimarães passado a funcionar como prisão, no século XVI e  no século XVII, funcionou como palheiro de Sua Majestade.

Em 1836, com a progressiva degradação do Castelo, membros da Sociedade Patriótica Vimaranense (associação criada para promover os interesses locais) solicitaram a sua destruição, não tendo, no entanto, sido aceite. Em 1881, o Castelo foi classificado como Monumento Histórico de Primeira Classe.

A estrutura principal do Castelo de Guimarães é dominada pela torre de menagem quadrangular, localizada no centro da edificação, ostentando a sua expressiva altura. Existem no Castelo, outras quatro grandes torres, de porte menor, que fortalecem a muralha. A porta principal do Castelo é flanqueada por um par de torreões ( torres largas), sendo que a mesma porta é aberta a oeste, e na face oposta,  encontra-se a porta da traição.

Sobre as muralhas do Castelo, existe um amplo adarve ( caminho) com acesso interior por escadarias de pedra, ligado no seu lado oeste, por uma ponte de madeira, à porta de entrada da torre de menagem, aberta numa altura de cinco metros. A restante estrutura, é composta por adarves e terraços das torres e torreões, defendidos por parapeitos com ameias (abertura, no parapeito das muralhas do castelo). No terreiro, junto à muralha do norte, existe uma casa de habitação de pequenas dimensões.

Presentemente, o Castelo encontra-se classificado como Monumento Nacional, através de decretos-lei publicados em 27 de Agosto de 1908 e em 1910, respectivamente.

Em 2001, integrado no centro histórico de Guimarães, o Castelo de Guimarães, é classificado como Património Mundial da Humanidade pela UNESCO. “Em 2007, o Castelo foi classiicado como uma das 7 Maravilhas de Portugal.”

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