As Grutas de Mira de Aire, localizadas na freguesia de Mira de Aire, concelho de Porto de Mós, na área protegida do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, foram descobertas em 1947, quando os primeiros homens, habitantes da Vila de Mira de Aire, que procuravam água, entraram nas grutas, permitindo a exploração posterior da nova descoberta, até então desconhecida. As Grutas de Mira de Aire, são as maiores grutas de Portugal.
As Grutas são constituídas pela Gruta Moinhos Velhos, a Gruta da Pena e a Gruta da Contenda, integrando um grande sistema de galerias com mais de 11 quilómetros de extensão, de grande beleza natural.
No local onde se situam as Grutas de Mira de Aire, existiram alguns moinhos de vento, dos quais, se sabe muito pouco. Quando as Grutas de Mira de Aire, foram descobertas, já o local se chamava de “Moinhos Velhos”, devido ao adiantado estado de envelhecimento que apresentavam.
A sua estrutura, apresenta uma configuração do tipo galeria/sala/poço, onde se realça os efeitos de luz que fazem sobressair as formas moldadas em estalagmites (formações que crescem a partir do chão de uma gruta) e estalactites (formações rochosas sedimentares que se originam no tecto de uma gruta) das grutas, sendo que a sua formação deve-se à erosão e alterações tectónicas.
Nas Grutas, existem lagos subterrâneos e salas com belas formações calcárias, sendo que dispõe igualmente de dois elevadores e 110 metros de profundidade. Na mesma, encontra-se um Grande Lago, formado pelo Rio Negro, curso de água subterrâneo, que no Inverno, forma o Lago.
As Grutas, apresentam um sistema de iluminação e de som próprio do ambiente em que se inserem, oferecendo uma rota pelas estalactites, por entre salas, galerias e cursos de água, como a Sala Vermelha, a Sala Grande, a Joalharia, a Cúpula majestosa, a Galeria, o Rio Negro e o Grande Lago.
No Grande Lago, existem diversas formações com nomes como a Alforreca, os Pequenos Lagos, o Marciano, a Boca do Inferno, e o Orgão. No final, observa-se ainda o grande espectáculo final da Água, da luz e do som.
Apesar de terem sido descobertas em 1947, as Grutas de Mira de Aire, encontram-se abertas ao público, somente desde 11 de Agosto de 1974. Desde a sua descoberta, foram organizadas equipas de espeleólogos, que passaram a visitar as novas grutas, tendo-se dado um processo de divulgação das grutas, ao longo dos anos.
Com a crescente dinamização do processo de divulgação das grutas ao público, numa primeira fase, foram projectados e construídos centenas de metros de estrados e de escadas de madeira, desde a entrada, até perto do Sifão das areias. Na década de 70, constituiu-se a Sociedade que efectuou a sua exploração, desde a Sala Grande até às partes principais da Galeria Grande, com vista ao novo aproveitamento turístico da gruta.
Em 2007, uma expedição da Sociedade Portuguesa de Espeleologia entrou na Galeria do Rio Negro, aproveitando a baixa do nível das águas, e consegiu acrescentar mais de 1Km de novas galerias que se dirigem ao interior do Planalto de São Mamede ao traçado total da Gruta.
As Grutas de Mira D`Aire, inserem-se na região central de Portugal entre Rio Maior, Alcobaça, Porto de Mós, Batalha, Leiria, Ourém, Torres Novas e Alcanena, ocupada, por serras calcárias, que constituem o maciço calcário estremenho, fazendo parte do mesmo, duas serras principais, a de Aire e dos Candeeiros.
Esta região é caracterizada por não ser atravessada por nenhum rio, uma vez que a água das chuvas se infiltra quase completamente nas fendas da rocha em vez de escorrer pelas vertentes e originarem rios.
Nas zonas calcárias quando chove a água, espalha-se nos terrenos em todas as direcções, pelos declives que vai encontrando, e escoa pelas fendas encontradas no calcário, aumentando-as quer pela erosão mecânica natural, quer pela reacção química causada pela presença de dióxido de carbono.
Ao contrário das outras rochas, o calcário é dissolvido pela água, que esculpe formações desde simples rendilhado, pequenas pias, marmitas e cristas aguçadas até aos maiores pedestrais, denominados lápiás pelos estudiosos destas regiões.
Ao penetrar nas pequenas fissuras de rocha, a água alarga-as por dissolução e transforma-as em grandes corredores ou em poços naturais que, na região têm o nome de algares.
As estalacites das Grutas, formam-se a partir de uma reacção química, constituída pela formação de carbonato de cálcio que, sendo insolúvel, fica suspenso dos tectos sob formas sólidas coniformes de vértice para baixo, pela qual vão “crescendo” lentamente ao longo dos séculos. As estalagmites das Grutas, formam-se a partir de uma cadência regular de gotas, em virtude de uma permeabilização mais intensa dos tectos, fazendo com que as formações cresçam a partir do chão.
As grutas encontram-se classificadas como Imóvel de Interesse Público desde 1955 e como sítio RAMSAR (CONSERVAÇÃO E USO RACIONAL DE ZONAS ÚMIDAS) desde 2006. Em 2010, foram classificadas como uma das “7 Maravilhas Naturais de Portugal.”, pela organização com o mesmo nome.








